em defesa da leitura

Quando Mariana postou o link para o texto de Mario Vargas Llosa em seu twitter, fiquei mega curiosa pra ler todas aquelas seis páginas, mas de imediato, não pude. Então salvei a página nos favoritos e ontem e hoje consegui terminar de ler tudo. Foram necessárias algumas pausas entre uma página e outra, claro - aliviar os olhos da claridade do computador, por exemplo.

Ultimamente estou mais encantada do que nunca com o universo da literatura e puta da vida com o desinteresse da maioria da população. Cara, é praticamente inacreditável conviver com alguém que nunca leu O Pequeno Príncipe ou qualquer outro livro que tenha mais de 50 páginas. Pense, esses indivíduos já estão no último ano do ensino médio...

Minha escola promove palestras de autores - principalmente gaúchos - e quando as professoras de literatura comentam que é preciso comprar algum livro e que a partir dele será feito um trabalho, esses cidadãos "sem cérebro" inventam mil e umas desculpas para não ter que adquirir um livro. Veja bem, eles não querem gastar só R$15,00 com um livro, mas tem R$200,00 pra gastar num Nike. "Burra" sou eu que não tenho um né? Nike são bem mais importantes do que qualquer obra literária.

Feira do livro? Fomos umas três ou quatro vezes à Porto Alegre e em praticamente todas as ocasiões, esses seres dotados de inteligência, só foram capazes de comprar aqueles livros da promoção, tipo: dois livros por cinco reais ou um por dois. Eles nem liam a sinopse e acho que alguns não liam nem o título. Compravam só porque a professora tava do lado... Você acha que algum deles leu os livros? Melhor não perder tempo com isso, porque a resposta é praticamente evidente.

Biblioteca da escola? Não temos a melhor biblioteca do mundo, mas as professoras estão sempre batalhando para adquirir novos livros e procuram com isso, influenciar cada vez mais a leitura. Em parte, até que se obtém sucesso. Ainda bem que existem pesssoas que possuem interresse.

Mas voltando ao texto de Llosa...
Eu li e achei totalmente incrivel, tanto que na hora de escrever minha redação de hoje na escola, só fiz pensar nele, e foi uma pena não ter terminando de lê-lo todo ontem à noite. Enfim, ele ajudou a desenvolver a minha tese sobre a violência e educação.

É interessante ressaltar algumas partes:

"Bill Gates declarou que espera não morrer sem ter realizado o seu maior projeto. E qual seria ele? Acabar com o papel, e, pois, com os livros, mercadoria que, a seu entender, já é de um anacronismo contumaz. O senhor Gates explicou que as telas dos computadores estão em condições de substituir com êxito o papel em todas as funções e que, além de isso custar menos, de ocupar menos espaço e de ser mais fácil de transportar, as informações e a literatura por meio da tela terão a vantagem ecológica de pôr fim à devasta-ção dos bosques, cataclismo que, pelo visto, é consequência da indústria de papel. As pessoas continuam a ler, explicou ele, mas nas telas, e, desse modo, haverá mais clorofila no meio ambiente."

Tá, haverá mais clorofila no ambiente, mas todo mundo vai ficar cego né?
Porque é praticamente impossivel ler por muito tempo no computador. Ao ler esse texto de Mario, por exemplo, algumas palavras ficaram embaçadas e eu fiquei com uma dor de cabeça leve, imagine ler um livro inteiro?
Mas, me diga, senhor Bill Gates, se tem cabimento uma coisa dessas?
Desaprovo totalmente esse teu sonho mesquinha.
Os livros são essenciais, cara. Você tem que pegar neles, sentir o cheiro... Tem que ocorrer todo aquele ritual básico que todo leitor sabe de cor e salteado.

"Uma pessoa que não lê, ou que lê pouco, ou que lê apenas porcarias, pode falar muito, mas dirá sempre poucas coisas, porque para se exprimir dispõe de um repertório reduzido e inadequado de vocábulos. Não se trata apenas de um limite verbal; é, a um só tempo, um limite intelectual e de ho-rizonte imaginário, uma indigência de pensamentos e de conhecimentos, porque as ideias, os conceitos, mediante os quais nos apropriamos da realidade e dos segredos da nossa condição, não existem dissociados das palavras, por meio das quais as reconhece e define a consciência. Aprende-se a falar com precisão, com profundidade, com rigor e agudeza, graças à boa literatura, e apenas graças a ela."

Eu poderia trasncrever tantas outras partes do texto, mas acho que se tornaria cansativo comentá-las aqui.

Enfim, só quero deixar registrado que adorei cada paraágrafo que Mario escreveu. E mais: quando eu crescer, quero escrever pelo menos a metade que Llosa escreve.

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