Acordei com dor de estômago, com raiva e triste por ter escrito uma redação tão ruim.
Chegando na escola, descobri que minha professora de português não iria recolher as redações porque não estava em condições de trabalhar – sua mãe havia falecido.
A professora substituta entrou na sala e disse que iríamos até o velório.
Eu disse que não queria ir, mas minhas amigas insistiram (e que bom!).
Não me sinto bem, sei lá,... talvez pelo fato de eu nunca conseguir dizer nada que conforte a pessoa...
Porém, como eu tenho consciência de certas coisas, sabia que se estivesse acontecendo comigo, gostaria de receber todo o apoio possível.
(...)
Ela escondia o rosto. Tentava esconder o choro, para não parecer sentimental demais e não perder o seu titulo de “rainha ranzinza”, mas não conseguiu por muito tempo.
Foi estranho abraçá-la, porque até ontem eu estava falando mal e ela é tão "seca" durante as aulas que chega a dar medo de demonstrar carinho.
Com a chegada dessa estagiária, percebi que tinhamos a melhor professora do mundo e não sabiamos, não dávamos valor. É sempre assim, só damos valor às coisas quando as perdemos.
Ainda bem que não perdemos a Vero de vez. A substituta é só substituta. Só! Ela nunca vai tomar o lugar da nossa querida professora ranzinza! :)
(...)
Mas por mais que tenha sido meio estranho, aquele abraço foi tão sincero, tão forte – daqueles que você sente a energia passando de uma pessoa pra outra – que eu nem dei importância se era esquisito ou não.
Senti vontade de abraçar forte, porque eu não consegui dizer nada, - eu até queria, mas não saiu nenhuma palavra da minha boca.
O mais mágico foi que ela retribuiu da mesma forma. Um abraço forte, único.
Pela segunda vez, senti pena da minha professora.


