"Às vezes a gente vai-se fechando dentro da própria cabeça, e tudo começa a parecer muito mais difícil do que realmente é. Eu acho que a gente não deve perder a curiosidade pelas coisas: há muitos lugares para serem vistos, muitas pessoas para serem conhecidas."
Archive for setembro 2009
"Yesterday I woke up sucking a lemon..."
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Thaís L.
De novo, e de novo, e de novo, e novamente...
E de repente tudo parece tão visto, tão gasto, tão igual.
Mesmo rato girando na roda, passando pelo mesmo ponto e pensando que pode ser diferente só porque mudaram sua gaiola de posição. Mas é o mesmíssimo ponto, o mesmo lugar, a mesma roda que gira e gira, e não chega a porra de lugar algum.
recados de Lucas
me sinto na obrigação de guardar scraps legais, assim como os de Lucas!
(17 ago) lucas:
oh, thaís, mas é claro que eu sei que foi você :3
eu vinha deixar um recadinho pra ti, mas o tempo voa, amor, escorre pelas mãos, como diria o chato do lulu santos, hahaha.
estou entrando numa época de pequenos contos cheios de segredos, mistérios e encobertos por enorme magia, sem querer me gabar, claro. mas esse gênero tem me afeiçoado bastante. ou será que foi ele que se afeiçoou a mim? quem dirá?
pra falar a verdade, eu até já comecei a escrever um livro, faz tempo, mas me faltou disposição para continuar. e tempo, claro. (não preciso citar lulu santos de novo, né?)
mas eu juro, juro que vou reler tudinho e voltar a escrever com força. gosto da história que estou escrevendo, apesar dela, inicialmente e superficialmente, parecer meio babaca. acho que é porque ainda não aconteceu nada assim para caracterizar e/ou justificar os personagens e essas coisas. ainda não aconteceu a história. bom, pra mim já aconteceram várias coisas, mas quando a gente que escreve, é bem diferente. no papel são apenas algumas linhas; daí cabe ao leitor imaginar o que fantasiava o escritor sobre a história.
hahahah.
oooooh, thaís! um abraço bem apertado e um beijo. ah, e um potinho com um quantidade tão espetacular de saudade que se você não abrir logo, ele vai explodir.
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(7 set) lucas:
oow, thaís...
ah, mas eu acho um saco essa coisa da redação do vestibular. não acho que dissertação é muito sinônimo de escrever bem e fico com a cara fechada quando tenho aula de redação. justo agora, que a gente começa a ver cada vez mais e mais magia, a gente começa a escrever cada vez melhor... eles vêm e te limitam a escrever uma dissertação, onde você, além de não poder conversar com o leitor, tem um máximo de linhas, tem um mínimo de linhas, tem que alcançar a utopia de dizer tudo o que você quer em tão pouco espaço e em tão pouco tempo... dissertação é um dos piores gêneros textuais. e tenho dito!
muitas vezes eu penso isso. mas acho que tenho uma boa auto-estima e quando não gosto de algo que escrevi, ou guardo para rever depois, ou tento reescrever, incrementar, "melhorar"; melhorar em aspas mesmo, por que às vezes é só na nossa percepção que aquilo está ruim. escrever é muito mais esculpir. e eu não devo ser o primeiro a fazer essa comparação.
haha, eu com certeza vou investir isso. talvez não me torne um escritor famoso, mas com certeza não vou deixá-la de lado.
oow, thaís, esse final ficou lindo. e eu ainda vou lhe mandar mais e mais potinhos desses. pode crer.
ah, e obrigado pelo elogio foto, rs.
sempre fico meio sem graça com elogios e só sorrio; esqueço de agradecer. ou talvez eu não tenha esse instinto/automático.
um beijo. mas um bem enorme!
Agora que já estão bem guardados, posso exclui-los do meu orkut; e por mais que isso me doa, se faz necessário! hahaha
Receita de escrita
As fotografias podem provocar reações similiares, se examinadas em conjunto; mas as histórias sugeridas pelas imagens motivam sentimentos bastante variados. Para a receita dar certo, é preciso que você reflita sobre esses sentimentos e volte às fotos.
Um livro não se consome de uma vez só como se fosse prato de comida. O leitor percorre um caminho de muitas voltas, que não precisa ir sempre para frente. Ele retorna ao começo, salta etapas, chega ao final e inicia outra vez, conforme o trajeto que desejar.
Eis o que uma obra literária ensina, principalmente quando não qer dar aula, transmitir informações, passar recado, ser educativa. Ela desperta o imaginário desde o início, quando, por exemplo, olhamos um retrato de uma pessoa, seja ela conhecida ou não, célebre ou obscura. Essa foto leva ao texto, se optarmos por essa via, embora possamos escolher o sentido contrário: ler o texto e, depois, contrapô-lo à imagem. De um modo ou de outro, o percurso não encerra aí, já que somos convidados a refazê-lo conforme outras direções, numa espiral infinita. O processo é incessante, porque a imaginação nunca deixa de introduzir novas acepções e sentimentos àquilo que olhamos e lemos.
INGREDIENTES:
1 foto de infância;
1 autor;
1 leitor;
muita imaginação.
MODO DE PREPARO:
Pense primeiro: qual é minha foto preferida? Qual delas me provoca lembranças especiais? Que retrato traduz um momento importante de minha vida?
Feita a escolha, separe a foto, mas deixe-a a seu alcance.
Agora, volte a refletir: o que essa foto me diz? O que ela conta de mim? Essa etapa pode levar algum tempo, mas não procure apressar seus pensamentos. Principalmente porque sua imaginação começará a ser movimentada, já que, como toda foto, esta conta uma história.
Volte à foto, que estava separada. E responda: que história ela conta?
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Thaís L.
Acordei com dor de estômago, com raiva e triste por ter escrito uma redação tão ruim.
Chegando na escola, descobri que minha professora de português não iria recolher as redações porque não estava em condições de trabalhar – sua mãe havia falecido.
A professora substituta entrou na sala e disse que iríamos até o velório.
Eu disse que não queria ir, mas minhas amigas insistiram (e que bom!).
Não me sinto bem, sei lá,... talvez pelo fato de eu nunca conseguir dizer nada que conforte a pessoa...
Porém, como eu tenho consciência de certas coisas, sabia que se estivesse acontecendo comigo, gostaria de receber todo o apoio possível.
(...)
Ela escondia o rosto. Tentava esconder o choro, para não parecer sentimental demais e não perder o seu titulo de “rainha ranzinza”, mas não conseguiu por muito tempo.
Foi estranho abraçá-la, porque até ontem eu estava falando mal e ela é tão "seca" durante as aulas que chega a dar medo de demonstrar carinho.
Com a chegada dessa estagiária, percebi que tinhamos a melhor professora do mundo e não sabiamos, não dávamos valor. É sempre assim, só damos valor às coisas quando as perdemos.
Ainda bem que não perdemos a Vero de vez. A substituta é só substituta. Só! Ela nunca vai tomar o lugar da nossa querida professora ranzinza! :)
(...)
Mas por mais que tenha sido meio estranho, aquele abraço foi tão sincero, tão forte – daqueles que você sente a energia passando de uma pessoa pra outra – que eu nem dei importância se era esquisito ou não.
Senti vontade de abraçar forte, porque eu não consegui dizer nada, - eu até queria, mas não saiu nenhuma palavra da minha boca.
O mais mágico foi que ela retribuiu da mesma forma. Um abraço forte, único.
Pela segunda vez, senti pena da minha professora.
O menino é o pai do homem
E basta instuí-la ali para que se instale em mim o íntimo confronto de estar em lugar conhecido e seguro, que me reconcilia comigo mesmo. Porém, há momentos que não sou eu que a procuro nem o meu olhar que a inclui. Nesses momentos, tenho a estranha sensação de que é a foto que busca o meu olhar. E com tal força, que não resisto, largo o que estiver fazendo e, por longo tempo, me dedico a contemplá-la, numa viagem ao meu passado e, ao mesmo tempo, para dentro de mim. Assim tem sido ao longo desses anos.
Como é possivel, me pergunto, que a fina superfície de nitrato de prata que reproduz a minha imagem - instante fugaz cristalizado sobre um papel - possa durar mais que o meu próprio corpo? Considero assombroso que a fotografia, mais poderosa que a vida, possa estancar o fluxo do tempo e congelar aquele momento, que jamais se repetirá. Olhar a própria foto como faço agora é isolar o instante arrancado do tempo, resgatar o momento vivido e congelar o esboço de gesto que se eternizou inconcluso. É como se um clique aprisionasse a vida no papel - assim como a escrita aprisiona a fala -, embora ela, seguindo seu curso fora da moldura, tenha me trazido até aqui, aquele momento ficou no papel, no qual agora me vejo então.
Toda imagem é grávida de histórias, e cada história sugere infinitas imagens. A câmara escura da máquina fotográfica é como um palco, cuja caixa teatral pode recriar, fecundados pela luz, o homem e o mundo. A fotografia nasce em silêncio, porém, com duas almas. A alma tecnológica - fiel, rigorosa, infalível e implacável - dá a autenticidade de verdadeiro a tudo que registra. A alma artística - inexata, artificial e subjetiva - dá a emoção. Daí a fotografia ser entendida como a síntese de corpo e alma, de matéria e espírito. O que se vê numa foto depende de quem olha - da sensibilidade da pessoa, do que ela sabe da vida, do que acumulou de vivências, experiências e emoções. Duas pessoas, por serem diferentes, não têm a mesma visão de mundo, não percebem o mesmo dourado da lua, não partilham as mesmas impressões sobre a dor ou sobre a alegria e, quando olham uma fotografia, não vêem as mesmas coisas, nem sentem as mesmas emoções. Cada um vê o mundo, assim como cada pessoa, à sua maneira. Cada pessoa que nos olha, nos vê à sua maneira. Sou tantos quantos são os que me vêem.
Quase a ouço dizer: "Deifra-me ou te devoro". E não consigo fazer nada que não seja olhar para ela. E o que vejo não é uma imagem qualquer, é o meu próprio retrato. Se o que percebo na foto reflete a pessoa que sou, o retrato que vejo à minha frente é uma espécie de auto-retrato.
Se o retrato é um espelho para mim, sou um espelho para o retrato. A mistura de identidades, a aparente confusão de papéis, que une e separa quem está na foto de quem a vê, que aproxima e afasta a criança de mim, cria uma tensão por me sentir, ao mesmo tempo, nos dois lados; observando-me e sendo observado.
este seu olhar...
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Thaís L.
Fotografias revelam o olhar que seres humanos, munidos de uma
máquina, lançam sobre indivíduos, cenários, animais ou coisas.
Quando escolhem pessoas como o foco principal, desvelam outros olhares, agora o do retratado,
que enxerga ou não seu fotógrafo. Fotografias, portanto, refletem, à sua maneira, um diálogo
entre dois sujeitos, ao apresentar necessariamente uma troca de visões.
Por sobre esse diálogo, podemos construir um segundo modo de conversação, pois a imagem
torna-se texto e suscita uma história. Retratos e figuras representadas estimulam a imaginação,
que prefere se expressar por meio da narração de acontecimentos.
itinerário e diálogo
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Thaís L.
E eis que a luta finda. Eu cedo. Novamente as coisas se dissolvem e torno a escorregar para dentro de mim. Mas estar em mim já não é vasto. Minha extensão reduziu-se a este círculo acinzentado que é meu pensamento. Minha extensão é tão mínima que sufoco dentro dela. Tudo se resume a esta extensão. Não há mais nada fora de mim. Impossível a fuga.
Tudo volta. Procuro retomar a meu último pensamento: tinha relação com infância e livro, eu sei. E busco. Por entre essa infinidade de formas, de signos desfeitos com que são construídos os pensamentos por entre esse amontoado de lembranças feitas de imagem incompletas como retratos rasgados; por entre essas idéias a que faltam braços, pernas, cabeças por entre os retalhos dessa caótica colcha de que é tecido o cérebro de um homem no parque, eu busco. Sem encontrar. A segurança das coisas fáceis e simples desliza entre meus dedos recusando fixar-se.
No vácuo de mim eu me despenco. Porque seria preciso também abdicar de mim mesmo para novamente reconstruir-me. Tornar a escolher os gestos, as palavras, em cada momento decidir qual dos meus seus assumir. Já esfacelei meu ser, já escolhi as porções que me são convenientes, esquecendo deliberado as outras. E são elas -serão elas? -que agora se movimentam revoltadas, pedindo passagem em gritos mudos, na ânsia de transcender limites, violentar fronteiras, arrebentando para a manhã de sol.
Sôfrego, torno a anexar a mim esse monólogo rebelde, essa aceitação ingênua de quem não sabe que viver é, constantemente, construir, não derrubar. De quem não sabe que esse prolongado construir implica em erros, e saber viver implica em não valorizar esses erros, ou suavizá-los, distorcê-los ou mesmo eliminá-los para que o restante da construção não seja abalado. Basta uma pausa, um pensamento mais prolongado para que tudo caia por terra. Recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa única existência.
-
"Podia esperar de qualquer um essa fuga, esse fechamento. Mas não em você, se sempre foram de ternura nossos encontros e mesmo nossos desencontros não pesavam, e se lúcidos nos reconhecíamos precários, carentes, incompletos. Meras tentativas, nós. Mas doces. Por que então assim tão de repente e duro, por quê?"
"Compreenda, eu só preciso falar com você. Não importam as palavras, os gestos, não importa mesmo se você continua a fugir e se empareda assim, se olha para longe e não me ouve nem vê ou sente. Eu só quero falar com você, escute."
"É esse gelo por dentro que eu não consigo entender. Você se doou tanto quando eu não pedia, e no momento em que pela primeira vez pedi, você negou, você fugiu. É esse seu bloqueio de aço encouraçando o silêncio, eu não consigo entender."
Uma pedra. Igual a si mesma, como só o são as naturezas inertes. As pessoas escorregam e, se num momento foram, no seguinte já não mais o são; a possibilidade de ser se reduz, contrai, escapa, ou num repente aumenta para explodir inesperada. As coisas de afirmam nelas mesmas a cada segundo de cada minuto. E em cada segundo futuro, serão ainda elas mesmas, sem se acrescentarem ou diminuírem.
ex-post de fotolog
eu sei, ultimamente você não tem encontrado nada interessante por aqui.
estou desinteressante mesmo, fazer oq? não consigo pensar em nada que possa lhe interessar, e sei que é por isso que os comentários ultimamente são tão poucos, as vezes eles nem existem...
confesso que sinto falta de quando eu abria a pagina do fotolog e via um "montão" de comentários. não porque eu gosto de numeros e faço a ligação "quanto mais comentarios mais pop eu sou" - acho isso ridiculo!
me refiro ao fato de escrever ou fazer uma foto que chame atenção, ou enfim, qualquer coisa do tipo.
sinto falta de conversas maduras.
eu sei que as vezes eu sou tosca demais e não consigo levar essas conversas adiante porque tenho que "dar o ar da graça" e fazer um comentário infame, mas quem estiver a fim de conversar, tô aqui, é só chamar!
eu tenho blog e poderia muito bem ter escrito isso lá, assim como todas as outras coisas que tenho pensado nas ultimas horas, mas de que adianta se ninguém lê...?
você, querido leitor, que está aí no aconchego de sua bela casa, tal como eu, debaixo de milhares de cobertas curtindo esse friozinho, "vagabundiando" na internet e por não sei quais razões está com vontade de sentar a lenha em alguém, eis a solução! sinta-se a vontade! acesse o meu lindo, querido e abandonado flickr: http://www.flickr.com/thaislehmann
sei que ele ficará feliz em receber sua critica ou um comentário sobre "além do que se vê" nas minhas fotos...
é, talvez eu me arrependa depois por escrever tudo isso, mas como o flog é meu, eu faço dele o que bem entender! ... :)
e como já disse Giovanni Boccaccio (foi ele mesmo quem falou isso? haha): "Melhor arrepender-se por ter feito alguma coisa do que por não ter feito nada."


