Olhei pro lado e ela estava escorada na parede, com a cabeça meio inclinada, prestando atenção naquele discurso todo. Quando chegou a hora da tal apresentação, me viro pro lado novamente e vejo o quase impossível de se ver - ela estava chorando.
Ao ver ela comovida com aquilo, me senti triste por ter pensado todas aquelas coisas, e por ter feito todas aquelas piadas, que na hora foram engraçadas, lógico, mas vendo ela chorar praticamente do meu lado, os episódios passados começavam a me incomodar.
Enfim, ela tem coração. Ela sente, ama, chora. É humana.
Um sentimento louco tomou conta de mim. Senti vontade de ir lá, dar um abraço, mas nem somos “amigas”.
Nos últimos dias ela fez com que as aulas fossem muito boas. Estava feliz e até me fez um elogio. Hoje na hora em que fez a chamada e eu respondi, deu um sorrisinho de canto da boca.
Talvez ela não tenha nenhum amigo verdadeiro, que tenha tempo para lhe escutar e para dividir as coisas boas e ruins da vida. Namorado sei que não tem. Pode até ter alguns rolos por aí, mas nada fixo. Filhos, disse que não quer ter – adotaria um com cinco anos, na média, porque não tem paciência para bebês.
Quem sabe ela é legal. Só me intriga o fato dela querer parecer uma má pessoa – rude, chata, ignorante. A impressão que tenho é que se orgulha transmitindo essa imagem.
Apesar de “tudo”, boa sorte nessas semanas que estará ausente...
(junho/2009)


