o que não coube no #tuitesuainfancia

É difícil lembrar de tudo. Lembro pouco até o meu aniversário de 3 anos. Acho que esse, foi o último aniversário que passei com o meu avô paterno. Lembro muito bem dele me erguendo pro alto, e eu com medo, frio na barriga, mas com uma vontade enorme de ir pro alto e sentir aquele mesmo misto de coisas mais uma vez. Em geral, antes disso , eu lembro de acordar cedo pela manhã, ir para a cozinha, subir numa cadeira e pegar uma caixinha pequena de cereal de chocolate (choco krispis). Eu mesma preparava.

O que eu mais brinquei foi de fazer comidinha. Gostava de misturar alguns alimentos com terra e flores (ainda lembro do cheiro e da textura das pétalas ). Eu brincava num forno velho, abandonado atrás de casa.

Tinha um dia certo pra gente (eu, minha mãe e a vó) acordar mais cedo pra fazer rancho no mercado. A vózinha que era dona da casa onde morávamos, sempre ia bater na janela do quarto da minha mãe e dizia: “acorda peludo!” Eu a considerava (e vou considerar pra sempre!) minha vó de verdade, de sangue, mesmo que não houvesse nenhuma ligação sanguínea entre a gente, tanto que tinha dias que eu ficava mais na casa dela, do que na minha.

Nas tardes em que eu tava “com fome”, eu ia lá na vó e ela me dava R$1,00 pra eu ir no mercado e comprar uma lata de beijinho. Eu tinha uns 4 ou 5 anos e já atravessava a rua sozinha, mas sempre com alguém cuidando né?... Aí eu chegava no mercado e comprava o beijinho. Todo mundo já me conhecia ;)

Naquele tempo, o tio Ganso ia me visitar. Ele me levava no bar da esquina, em cima das costas dele, pra comprar picolé (aqueles que vinham com frutinhas desenhadas no palito). Um dia consegui achar um que tivesse todas as cerejinhas, então, voltei super faceira no bar pra trocar o palito por outro picolé.

Algumas manhãs, vinha um senhor entregar leite lá na casa da vó. Ele sempre tinha um bloquinho com folhas compridas e não muito largas, de cor azul com algum detalhe em vermelho. Lembro que aquele papel tinha um cheiro inconfundível, meio estranho, mas não ruim.

Algumas noites íamos eu, a vó e minha mãe na casa da Ely e do Miro, que ficava bem na frente onde morávamos. A vó preparava sua bolsinha: colocava seu remédio, um pacote de bolacha salgada, uma lanterna e acho que só... Chegávamos no Miro. Casa grande. Primeiro tinha a sala, depois a cozinha. Tudo grande. O propósito da visita era geralmente ir assistir o Jornal Nacional. E eu sentava na mesa com o Miro. Cadeira grande. Comíamos rosca com salame.

Tinha vezes em que eu, a vó e a Anne íamos pra horta (que eu chamava de roça). Eu sempre ia com um potinho pra colher chá e café.

Eu lembro de uma cena meio estranha que aconteceu perto do natal. Foi como se surgisse do nada, no meio da sala, uma cesta cheia de gatinhos. Eu vi, embora muitas pessoas digam que isso não tenha realmente acontecido.



Enfim, poderia escrever aqui por séculos todas as minhas lembranças, todas as coisas bonitas que vivenciei, mas não. Tem momentos e sentimentos que são impossíveis de se transferir para o papel.

Ah, que saudade. É por esses e muitos outros motivos que eu jamais queria crescer. Acho que se no futuro, alguém criar mesmo uma máquina do tempo, eu vou voltar aos meus 4 anos e parar por lá. Tudo bem que não tínhamos a casa que temos hoje, tudo bem que eu não conhecia a metade das pessoas que eu conheço hoje, tudo bem que eu não tinha muita coisa que eu tenho hoje, mas eu tinha a felicidade e o amor em excesso e não precisava me preocupar com as coisas e isso já bastava.

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coração oposto ao mundo

Ao primeiro sinal do sentimento, este vem já impregnado de pensamento, e não chega a ser vivido em sua incerteza. É como estar presente e ao mesmo tempo ausente; é ligar-se às coisas da vida real, mas ligar-se ao mesmo tempo a muitas outras coisas, que lá não estão, e que se calhar, não estão em parte alguma. Ora, estar presente, ou ligar, se as coisas da vida real, tem que ver, diretamente com o coração e com os sentimentos. E para ele, o coração é justamente o que não funciona, ou funciona mal, por estar sempre atrelado à razão.

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Cinco pessoas numa mesa. Ou melhor, quatro pessoas na Terra e uma na Lua. Eu estava totalmente ausente de tudo e de todos. Enquanto eles riam e falavam alto, eu só olhava para a parede e imaginava possiveis acontecimentos, ato este, intercalado às vezes por pensamentos vagos. Não é a primeira vez que isso acontece.

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em defesa da leitura

Quando Mariana postou o link para o texto de Mario Vargas Llosa em seu twitter, fiquei mega curiosa pra ler todas aquelas seis páginas, mas de imediato, não pude. Então salvei a página nos favoritos e ontem e hoje consegui terminar de ler tudo. Foram necessárias algumas pausas entre uma página e outra, claro - aliviar os olhos da claridade do computador, por exemplo.

Ultimamente estou mais encantada do que nunca com o universo da literatura e puta da vida com o desinteresse da maioria da população. Cara, é praticamente inacreditável conviver com alguém que nunca leu O Pequeno Príncipe ou qualquer outro livro que tenha mais de 50 páginas. Pense, esses indivíduos já estão no último ano do ensino médio...

Minha escola promove palestras de autores - principalmente gaúchos - e quando as professoras de literatura comentam que é preciso comprar algum livro e que a partir dele será feito um trabalho, esses cidadãos "sem cérebro" inventam mil e umas desculpas para não ter que adquirir um livro. Veja bem, eles não querem gastar só R$15,00 com um livro, mas tem R$200,00 pra gastar num Nike. "Burra" sou eu que não tenho um né? Nike são bem mais importantes do que qualquer obra literária.

Feira do livro? Fomos umas três ou quatro vezes à Porto Alegre e em praticamente todas as ocasiões, esses seres dotados de inteligência, só foram capazes de comprar aqueles livros da promoção, tipo: dois livros por cinco reais ou um por dois. Eles nem liam a sinopse e acho que alguns não liam nem o título. Compravam só porque a professora tava do lado... Você acha que algum deles leu os livros? Melhor não perder tempo com isso, porque a resposta é praticamente evidente.

Biblioteca da escola? Não temos a melhor biblioteca do mundo, mas as professoras estão sempre batalhando para adquirir novos livros e procuram com isso, influenciar cada vez mais a leitura. Em parte, até que se obtém sucesso. Ainda bem que existem pesssoas que possuem interresse.

Mas voltando ao texto de Llosa...
Eu li e achei totalmente incrivel, tanto que na hora de escrever minha redação de hoje na escola, só fiz pensar nele, e foi uma pena não ter terminando de lê-lo todo ontem à noite. Enfim, ele ajudou a desenvolver a minha tese sobre a violência e educação.

É interessante ressaltar algumas partes:

"Bill Gates declarou que espera não morrer sem ter realizado o seu maior projeto. E qual seria ele? Acabar com o papel, e, pois, com os livros, mercadoria que, a seu entender, já é de um anacronismo contumaz. O senhor Gates explicou que as telas dos computadores estão em condições de substituir com êxito o papel em todas as funções e que, além de isso custar menos, de ocupar menos espaço e de ser mais fácil de transportar, as informações e a literatura por meio da tela terão a vantagem ecológica de pôr fim à devasta-ção dos bosques, cataclismo que, pelo visto, é consequência da indústria de papel. As pessoas continuam a ler, explicou ele, mas nas telas, e, desse modo, haverá mais clorofila no meio ambiente."

Tá, haverá mais clorofila no ambiente, mas todo mundo vai ficar cego né?
Porque é praticamente impossivel ler por muito tempo no computador. Ao ler esse texto de Mario, por exemplo, algumas palavras ficaram embaçadas e eu fiquei com uma dor de cabeça leve, imagine ler um livro inteiro?
Mas, me diga, senhor Bill Gates, se tem cabimento uma coisa dessas?
Desaprovo totalmente esse teu sonho mesquinha.
Os livros são essenciais, cara. Você tem que pegar neles, sentir o cheiro... Tem que ocorrer todo aquele ritual básico que todo leitor sabe de cor e salteado.

"Uma pessoa que não lê, ou que lê pouco, ou que lê apenas porcarias, pode falar muito, mas dirá sempre poucas coisas, porque para se exprimir dispõe de um repertório reduzido e inadequado de vocábulos. Não se trata apenas de um limite verbal; é, a um só tempo, um limite intelectual e de ho-rizonte imaginário, uma indigência de pensamentos e de conhecimentos, porque as ideias, os conceitos, mediante os quais nos apropriamos da realidade e dos segredos da nossa condição, não existem dissociados das palavras, por meio das quais as reconhece e define a consciência. Aprende-se a falar com precisão, com profundidade, com rigor e agudeza, graças à boa literatura, e apenas graças a ela."

Eu poderia trasncrever tantas outras partes do texto, mas acho que se tornaria cansativo comentá-las aqui.

Enfim, só quero deixar registrado que adorei cada paraágrafo que Mario escreveu. E mais: quando eu crescer, quero escrever pelo menos a metade que Llosa escreve.

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Yo Ho! (A Pirate's Life for Me)

Ontem, depois de terminar alguns trabalhos da escola fiquei praticamente a tarde toda na frente do computador e por sei lá que motivo, “esqueci” de comer.
Fiquei sabendo que íamos pra Serra, e se alguém não sabe, o caminho até lá é cheeeeeio de curvas e enfim, se eu não comesse nada, colocaria os bofes pra fora.
Fui comendo uma bolacha, mas ela era doce demais e repunou até a alma. A solução foi ir dormindo daqui até lá.
Já em Canela, alguns aperitivinhos e uns goles de um drink. Imagine.
A menina aqui já tava com o estomago vazio e ainda toma uns goles... putz, fudeu! haha

Mas enfim, fomos até uma pizzaria (Porto dos Piratas) em Gramado. Eu recomendo, apesar de algumas pizzas serem puro sal (as doces, até que salvam o rodízio). E o visual lá dentro é legalzinho também.
O rodízio custa R$22,90. Acho que a cerveja custa R$6,00. Só sei que quem comer salada lá é louco - o Kg custa RS40,00.

Como eu já tava meio mal e ainda por cima tinha tomado uns goles, quando comi uma pizza com bastante catupiry pensei que ia chamar o hugo na mesma hora. Mas não, resisti. Fiquei lá firme e forte, apesar de que, em alguns momentos, todos aqueles piratas e luzes vermelhas parecessem girar descontroladamente em minha volta.

Saímos de lá no maior estilo "mais embuxados: impossivel". Fomos caminhar no centro e claro, fotografar. E nessa caminhada eu não fiz outra coisa a não ser lembrar dos meus amigos baianos queridos. Da minha Matiz querida.
Imaginei como seria massa se eles tivessem ali comigo. Teríamos feito fotos incriveis, e eu mostraria lugares legais pra eles e enfim, só conseguia pensar neles.

Devia ser 3 horas da manhã e a gente ainda tava na rua. Tuuudo deserto.
Uma serração assombrosa, mas não tava frio. Tava 12ºC :)

A última coisa que lembro foi que cheguei em casa às 4:30 da manhã, fora isso, não lembro mais de muita coisa. As fotos e vídeo é que contam a história com mais detalhes.

Achei que ia ter inspiração suficiente para criar uma resenha massa sobre o final de semana.
Foi o sono... Só pode ser.
Acordei só pra almoçar e depois dormi das 14:00 às 18:00 e ainda tenho sono!

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sonhos que mais parecem realidade...

Acho que não costumo invadir a vida das pessoas através de sonhos como dessa vez.

Era como se eu fizesse parte da família.
Fui até a cozinha onde ele preparava um café e peguei uma xícara também.
Ela chegou, deu um beijo e um abraço nele, trocou algumas palavras e foi para o quarto que ficava ao lado.
De uma hora pra outra me senti intrusa naquela história. O que não deixa de ser verdade, não é mesmo?
Me escondi atrás de um móvel e ali fiquei por algum tempo admirando aquela cena linda.
Com a xícara na mão, foi até a porta do quarto onde ela dormia e ficou lá por muito tempo, só observando-a com um sorrisão no rosto.


Sorri
Quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos, vazios
Sorri
Quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
Sorri
Quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados, doridos
Sorri
Vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

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estou triste, pois acabo de saber que meu pai lavou minha camiseta da Matiz junto com as roupas que ele usa pra trabalhar...
resultado: minha camiseta encheu de coisinhas brancas e quando eu tirei ela da máquina de lavar, estava com uma manga mais pra lá do que pra cá... mas acho que no fim ela vai superar tudo isso (e eu também) - pelo menos é o que eu espero! #drama hahahaha

engraçado que a maioria das coisas que a gente fala, os homens parecem não escutar, né? vejo pelo meu pai. eu já falei 938498439675768569508604 zilhões de vezes que não é pra lavar nenhuma roupa minha com as que ele usa pra trabalhar, mas volta e meia ele sempre acaba esquecendo ou "não ouvindo".

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